terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Imunidade celular

Um outro tipo de imunidade é a imunidade celular, que tal como o nome diz é uma imunidade mediada por células, onde actuam sobretudo os linfócitos T, que conseguem reconhecer os antigénios devido a marcadores que se encontram nas suas membranas. Este tipo de imunidade inicia-se quando os macrófagos, linfócitos ou células infectadas por vírus expõem os antigénios aos linfócitos T. A apresentação feita pelos macrófagos é efectuada da seguinte forma, eles fagocitam e digerem os antigénios, formando assim porções de moléculas com poder antigénico, que são inseridas nas suas membranas, por sua vez os linfócitos T devido às suas capacidades reconhecem-nas e actuam sobre elas.
Durante a resposta celular existe a intervenção de diversos tipos de linfócitos: os linfócitos T auxiliares, os linfócitos T citolíticos, os linfócitos T supressores, os linfócitos T memória e os linfócitos Natural Killer, que têm as seguintes funções:
Linfócitos T auxiliares, também conhecidos como linfócitos T helper (TH) têm como função reconhecerem os antigénios específicos que se encontram ligados a marcadores e segregam mensageiros químicos, como as citoquinas, que promovem a actividade celular dos fagócitos, linfócitos B e outros linfócitos T.

Linfócitos T citolíticos, ou citotóxicos (TC) têm a capacidade de reconhecer e destruir células infectadas ou cancerosas. Quando se encontram activos, estes linfócitos migram para o local da infecção ou para o timo, onde segregam substâncias que provocam a morte das células anormais e estranhas ao organismo.

Linfócitos T supressores (TS) têm como função ajudar a moderar ou a extinguir a resposta imunitária quando a infecção se encontra controlada. A acção dos linfócitos supressores é feita através de mensageiros químicos.

Linfócitos T memória (TM) encontram-se num estado inactivo durante bastante tempo, no entanto, quando ocorre um segundo contacto com um antigénio, respondem de forma imediata e eficaz.

Linfócitos Natural Killer (NK) têm uma especificidade reduzida e apresentam citotoxidade. Este tipo de linfócitos têm como função destruir células tumorais e células infectadas por determinados vírus.


As citocinas são hormonas que permitem às células comunicar entre si. São um sistema bastante complexo e com actuação eficaz. Existem vários tipos de citocinas, algumas mais importantes são:

IL – 1 – que são libertadas quando ocorre uma infecção. Estas citocinas são as responsáveis por os sintomas mais comuns quando surge uma doença, uma vez que estimulam o aparecimento de febre, tremores, calafrios e mal – estar, promovendo a inflamação e estimulando os linfócitos T a actuarem.
IL – 2 – tem como função promover a multiplicação dos linfócitos T e B.
IFN – alfa – actua como interferão. Esta citocina estimula a diminuição da produção de proteínas, aumentam as enzimas anti-virais e estimulam a activação dos linfócitos.
IFN – gama – promove a inflamação e activa os macrófagos e torna-os mais eficientes e ofensivos.
TNT – beta – tem como função activar os fagócitos e estimular a resposta citotóxica.
IL – 4 – estimula a produção linfócitos B e consequentemente de anticorpos.
IL – 5 – estimula a multiplicação e a diferenciação dos linfócitos B e a produção das imunoglobulinas IgA e IgE.

Os macrófagos, sendo células do sistema imunitário, também apresentam na superfície das suas membranas proteínas do complexo maior de histocompatibilidade (MHC), que podem funcionar como receptores que se ligam aos agentes patogénicos, e formam um complexo antigénio – MCHII, e é este complexo que é apresentado aos linfócitos T, que se tornam activos e se diferenciam nos linfócitos TH. Após a sua activação ocorre a estimulação da activação de outras células, como linfócitos B, fagócitos e dos restantes linfócitos T.
Da mesma forma, as células nucleadas, quando são infectadas por vírus ou se tornam cancerosas, podem também exibir um complexo antigénio - MHCI, que activa os linfócitos T e promove a sua diferenciação em linfócitos TC.
Assim, verifica-se que à medida que é efectuada a imunidade mediada por células, há uma constante activação, divisão e diferenciação dos linfócitos T noutros linfócitos, incluindo em linfócitos TS e TM. Este tipo de imunidade tem uma função muito importante no combate a agentes infecciosos e no reconhecimento e destruição de células cancerosas.
Este tipo de imunidade é também responsável pela rejeição do organismo quando são efectuados implantes de tecidos, como enxertos, e transplantes de órgãos. Verifica-se esta rejeição, porque os tecidos ou órgãos transplantados contêm antigénios na superfície das membranas celulares que são distintos dos que o indivíduo receptor possui. Assim, os tecidos e órgãos são encarados como corpos estranhos, levando o sistema imunitário a desenvolver uma resposta imunitária com o intuito de os eliminar, através da activação dos linfócitos T e das substâncias químicas produzidas pelos mesmos. Esta rejeição pode ser minimizada se o dador possuir uma identidade bioquímica bastante semelhante à do receptor. Para verificar esta afinidade ou semelhança bioquímica, faz-se uma comparação com os antigénios do complexo maior de histocompatibilidade. Para além dos termos de comparação, são também ministradas no indivíduo receptor, drogas que actuam sobre a resposta imunitária, levando à sua supressão, mas que têm efeitos negativos sobre o individuo, uma vez que o tornam mais vulnerável a infecções e ao desenvolvimento de certos tipos de cancro. Estas drogas estão a ser melhoradas pela comunidade científica, com o objectivo de as tornarem mais específicas, para inibirem apenas linfócitos que se encontrem envolvidos no processo de rejeição.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Imunidade humoral

Este tipo de imunidade está relacionado com a produção de anticorpos circulantes no sangue e na linfa, produzidos pelos linfócitos B, após estes terem reconhecido antigénios específicos e iniciado a sua função de protecção do organismo contra organismos estranhos. Existem diferentes tipos de antigénios, que podem ser moléculas da superfície de corpos patogénicos, ou podem também ser moléculas solúveis como toxinas.
Quando o organismo é invadido por corpos estranhos, apenas interagem, ou são identificados pelos linfócitos que possuam nas suas membranas receptores específicos para esses corpo estranho. De seguida, o receptor liga-se ao antigénio, activando-se os linfócitos com receptores específicos para aquele tipo de antigénio, devido à libertação de citocinas pelos linfócitos reguladores que estimulam os linfócitos B a multiplicarem-se, originando dois grupos de clones destas células:

Um dos grupos de clones dá origem às células efectoras, designadas plasmócitos. Estas células efectoras têm um período de vida reduzido, são possuidoras de um retículo endoplasmático bastante desenvolvido, que tem a capacidade de produzir anticorpos que actuam de forma muito específica sobre os antigénios, neutralizando-os. Os anticorpos são moléculas solúveis, por isso têm facilidade em se difundir no organismo por meio do sangue e da linfa.

O segundo grupo de clones origina células de memória, que apesar de não actuarem durante a resposta imunitária têm uma importante função, uma vez após a entrada de um antigénio no organismo, as células memória fixam as suas características e quando este volta a entrar no organismo as células memória reconhecem-no, activando mais rapidamente a resposta de eliminação dos mesmos. O cumprimento da função deve-se também ao facto destas células serem bastante duradouras, podendo mesmo viver durante décadas, uma que permite uma rápida e eficiente resposta quando um mesmo antigénio volte a entrar de novo no organismo.


Os anticorpos normalmente designados por imunoglobulinas, têm um elevado grau de especificidade que se encontra radicada na sua estrutura química, possuem a forma de um Y e são constituídas por quatro cadeias polipeptídicas ligadas por pontes de dissulfito, sendo duas cadeias longas denominadas cadeias pesadas (H – heavy), e as outras duas cadeias são curtas por isso são denominadas por cadeias leves (L – light).
As imunoglobulinas contêm uma região constante, pois contém uma sequência de aminoácidos que é bastante semelhante em todas elas, mesmo que sejam de espécies diferentes. Esta região interage com outros elementos do sistema imunitário e determina a classe a que pertence a imunoglobulina. Por sua vez, possui também uma região variável, que contém uma sequência de aminoácidos distinta e própria de cada imunoglobulina. Esta região encontra-se na porção da extremidade das cadeias leves e pesadas. É a sequência de aminoácidos da região variável que confere especificidade à imunoglobulina. Para além disso, determina a complementaridade entre o anticorpo e o antigénio, caso estes sejam complementares, estabelece-se ligações de união entre eles através de pontes de hidrogénio e forças electrostáticas. Como o anticorpo tem forma de Y, possui duas regiões variáveis, logo, possui também dois locais de ligação com antigénios.



O Homem possui cinco classes de imunoglobulinas, a IgA, a IgD, a IgE, a IgG e a IgM, e apresentam diferentes funções e encontram-se em diferentes locais:
A IgA pode encontrar-se no leite, saliva, lágrimas, secreções respiratórias e gástricas e no sangue mas em pequenas quantidades. A sua função é conferir protecção contra os agentes patogénicos nos locais de entrada do organismo, e no leite tem também a função de proteger o recém-nascido de infecções.

- A IgD pode-se encontrar nos linfócitos B, nos plasmócitos e também em células de memória. A função da imunoglobulina D é estimular os linfócitos B a produzir outros tipos de anticorpos.

- A IgE localiza-se principalmente nos mastócitos que se encontram nos tecidos, como na saliva, no leite, nas lágrimas, nas secreções respiratórias e gástricas. Tem como função mediar a libertação de substâncias como a histamina, que podem desencadear reacções alérgicas, e lutar contra parasitoses.

- A IgG encontra-se sobretudo no plasma e na linfa intersticial, e costuma passar através da placenta da mãe para o feto. Este tipo de imunoglobulina têm como funcionalidade conferir protecção contra bactérias, vírus e toxinas, e normalmente actua depois da IgM.

- A IgM pode ser encontrada no plasma. A imunoglobulina M é um dos primeiros anticorpos a actuar quando surge um antigénio no organismo. É constituído por cinco unidades que o tornam muito eficaz no combate inicial aos organismos estranhos. É também bastante eficiente na aglutinação, e a sua presença indica a ocorrência de uma infecção.

Os antigénios possuem várias regiões que são capazes de ser reconhecidas pelo organismo. As zonas de um antigénio onde se podem ligar os anticorpos designam-se por determinantes antigénicos ou epítopos. Assim, os antigénios podem-se ligar a diferentes tipos de anticorpos, e o número de ligações que pode estabelecer é igual ao número de epítopos que possui.
Quando as imunoglobulinas se ligam aos antigénios, formam um complexo antigénio-anticorpo, que desencadeia vários processos que levam à destruição dos corpos estranhos que invadiram o organismo. Estes processos desencadeados são inicialmente desenvolvidos na resposta não-especifica e são agora mais intensificados e mais específicos durante a resposta imunitária específica.
O processo de inactivação dos antigénios resulta de um conjunto de processos que ocorrem em cinco fases, neutralização, aglutinação, precipitação de antigénios solúveis, activação do sistema do complemento e estimulação da fagocitose:

Durante neutralização directa de bactérias e vírus os anticorpos ligam-se ao antigénio e neutralizam-no. Isto acontece porque os anticorpos ligam-se a moléculas que permitem a infecção das células pelos vírus, assim, com a ligação dos anticorpos a estas moléculas, torna-se impossível a actuação dos vírus nas células. A actuação dos anticorpos nas bactérias processa-se de modo diferente, pois neste caso os anticorpos cobrem toda a sua superfície, até que estas sejam eliminadas por células fagocitárias.



Na fase de aglutinação, também designada por opsonização, os anticorpos unem-se a epítopos dos antigénios, formando assim grandes complexos que são rapidamente fagocitados por macrófagos.



De seguida verifica-se a precipitação de antigénios solúveis, que é um processo semelhante à aglutinação. No entanto, realiza-se com moléculas que se encontram dissolvidas nos processos corporais, como as toxinas. Os anticorpos ao actuarem formam complexos insolúveis que serão removidos por células fagocitárias.

Na fase de activação do sistema complemento, o complexo anteriormente formado, antigénio-anticorpo, é activada a primeira proteína do complemento, o que inicia um conjunto de reacções sucessivas de activação. Algumas das proteínas pertencentes a este complemento produzem poros nas superfícies das membranas das bactérias, o que leva à lise das membranas. Existem também outras proteínas que levam ao desenvolvimento de outros processos, como a vasodilatação e a quimiotaxia, processos já falados nos métodos de defesa não-específicos.

Por fim, na última fase ocorre a estimulação da fagocitose, em que os macrófagos, uma vez que possuem receptores que reconhecem os anticorpos, (sobretudo a IgG), que se encontram ligados aos antigénios, e são estimulados a realizar a fagocitose.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Mecanismos de defesa especificos

O nosso organismo é constituído pelo sistema imunitário, pelos vasos linfáticos, órgãos e tecidos linfóides e as células efectoras, e tem como função defender o nosso corpo reconhecendo os invasores estranhos ao nosso organismo, como bactérias, vírus ou parasitas, neutralizá-los, e por fim eliminá-los. O sistema imunitário consegue reconhecer os organismos que lhe são estranhos, através de glicoproteínas inseridas nas membranas das células, e que identificam o que é próprio do organismo e o que não é, uma vez que cada ser vivo é incomparável do ponto de vista bioquímico. Para cumprir com a sua função de defesa, o sistema imunitário possui dois tipos de, mecanismos: os mecanismos de defesa não – específicos e os mecanismos de defesa específicos. Neste subcapítulo apenas serão abordados os mecanismos de defesa específicos.
Os mecanismos de defesa específicos, ou imunidade adquirida, iniciam a sua acção alguns dias após a invasão de agentes patogénicos, no entanto, estes mecanismos têm uma acção muito mais eficaz, dirigida e específica. Estes mecanismos constituem a terceira linha de defesa, e a acção dos linfócitos é bastante eficaz, uma vez que possuem memória, ou seja, quando entram em contacto com um invasor, “memorizam” as suas características e conseguem reconhecê-lo quando este entra de novo no nosso organismo, o que permite uma melhor acção sobre ele.
Os animais vertebrados possuem dois tipos de linfócitos, os linfócitos B (Bone Marrow) e os linfócitos T (Thymus), que são ambos produzidos por células estaminais da medula óssea vermelha ou do fígado (durante o período fetal). Inicialmente estes dois tipos de linfócitos, no entanto, depois sofrem diferentes tipos de maturação, e consequentemente diferentes tipos de especialização. Os linfócitos que dão origem aos linfócitos B permanecem na medula óssea vermelha e sofrem aí o seu processo de maturação. Pelo contrário, os linfócitos que dão origem aos linfócitos T migram da medula para o timo e sofrem lá o seu processo de maturação.
Estes dois tipos de linfócitos são responsáveis por diferentes processos de imunidade: os linfócitos T especializam-se na designada imunidade celular, enquanto que os linfócitos B se especializam na imunidade humoral. As respostas de ambos os linfócitos só são desencadeadas por umas moléculas designadas por antigénios ou antigenes, que pertencem a diferentes tipos de agentes invasores, como vírus, bactérias, protozoários, moléculas existentes no pólen, pêlos dos animais ou até mesmo células de outras pessoas.
No decorrer da maturação os linfócitos B e T adquirem determinadas moléculas específica, os receptores de antigénios, que funcionam como receptores e passam a reconhecer diversos e numerosos antigénios, o que lhes concede a capacidade de terem uma acção activa durante a resposta imunitária, daí serem designados por células imunocompetentes. Durante este processo os linfócitos também ganham a capacidade de distinguir o que faz parte do organismo, daquilo que lhe é desconhecido. Desta forma, todos os linfócitos que apresentarem nas suas membranas receptores de antigénios para as moléculas que fazem parte do organismo, são eliminados, caso contrário o próprio organismo começava a ser destruído, pois desenvolver-se-ia uma resposta imunitária contra ele.
Após o processo de maturação os linfócitos deslocam-se para os diversos órgãos e tecidos do sistema imunitário, como para a linfa, os gânglios linfáticos, o sangue, o baço e as amígdalas.
Os linfócitos, actuam de uma forma bastante eficaz e equilibrada, destruindo os agentes agressores, devido à sua cooperação com a imunidade humoral e celular, pontos que serão abordados mais à frente, e devido à sua especialização em diferentes tipos de antigénios como já foi referido.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Mecanismos de defesa não especificos

Os agentes patogénicos são impedidos de entrar no organismo pelos mecanismos de defesa não específica, também designados por imunidade inata ou natural, ou são destruídos quando conseguem penetrar. Estes mecanismos desempenham uma acção geral contra corpos estranhos, independentemente da sua natureza, e exprimem-se sempre da mesma forma.

Barreiras físicas ou anatómicas e secreções
A pele é uma barreira de defesa primária contra os agentes patogénicos. As bactérias, os vírus e os fungos raramente penetram quando a pele está íntegra. Contudo se houver uma lesão na pele (ex.: um pequeno golpe), o risco de infecção por agentes patogénicos aumenta drasticamente.
Os fungos e as bactérias que normalmente vivem e se reproduzem em grande número nas superfícies do nosso corpo, sem causar doenças, constituem a “flora normal”. Estes competem por espaço e nutrientes com os agentes patogénicos, o que constitui um tipo de defesa
O muco segregado por tecidos dos sistemas visual, respiratório, digestivo, excretor e reprodutor constitui igualmente uma defesa contra os agentes patogénicos.
As lágrimas, o muco nasal e a saliva possuem uma enzima (a lizosima) que ataca a parede celular de inúmeras bactérias. O muco nasal também retém os microrganismos nas vias aéreas superiores, e os que alcançam as regiões profundas do tracto respiratório são capturados pelo muco aí existente, sendo posteriormente removidos das vias respiratórias pelo batimento dos cílios, que conduzem uma camada de muco, contendo microrganismos em direcção à faringe, onde serão enviados para o estômago, nariz ou boca a fim de serem expulsos. Através dos espirros, também são eliminados para o exterior alguns microrganismos presentes no tracto respiratório.
Os agentes patogénicos que atingem o tracto digestivo (estômago, intestino delgado e intestino grosso) são alvos de outros mecanismos de defesa. O estômago constitui um ambiente fatal para várias bactérias devido à secreção do ácido clorídrico e das proteases aí existentes. As paredes intactas do intestino delgado raramente são penetradas por bactérias, e alguns microrganismos são destruídos pelos sais biliares. No intestino grosso existem bactérias que, no geral, são rapidamente removidas junto com as fezes. Todavia, a maioria das bactérias existentes no intestino pertence à “flora normal”, sendo mesmo benéficas para o organismo.
As barreiras e as secreções referidas são mecanismos de defesa não específicos porque actuam de igual modo sobre todos os agentes patogénicos. Os mecanismos de defesa não específica que actuam sobre os agentes patogénicos que conseguiram transpor as barreiras externas são a reacção inflamatória, a fagocitose, o interferão e o sistema complemento.

A fagocitose
A fagocitose representa um importante mecanismo de defesa não específica contra agentes patogénicos que ultrapassam as barreiras superficiais de defesa. As células promotoras deste mecanismo são leucócitos.
Algumas células fagocitárias (ou fagócitos) circulam livremente na corrente sanguínea, enquanto outras deixam os vasos sanguíneos e aderem a certos tecidos.
Numa primeira fase, os agentes patogénicos, vírus e outras células são reconhecidos pelos anticorpos que se ligam aos antigenes específicos. Os leucócitos são assim capazes de aderirem à membrana da célula invasora. De seguida, a célula fagocitária emite pseudópodes que auxiliam no processo de endocitose, de modo a que o agente patogénico penetre no interior desta célula. Posteriormente, o patogene é degradado por enzimas lisossomais existentes nos lisossomas.



Existem três tipos de fagócitos:
Os neutrófilos – são os fagócitos mais abundantes, embora tenham um tempo de semivida muito curto. Têm a capacidade de reconhecer e atacar agentes patogénicos em tecidos infectados;
Os monócitos – diferenciam-se em macrófagos, que têm um tempo de vida mais longo que os neutrófilos e podem destruir um número superior de agentes patogénicos. Alguns macrófagos migram ao longo do organismo, outros residem em locais específicos como o baço;
Os eosinófilos – são fracamente fagocitários, sendo a sua principal função matar parasitas.

A inflamação


O organismo recorre a uma resposta inflamatória em processos infecciosos ou em qualquer outro processo que afecte a integridade dos tecidos de revestimento interno ou externo.
Os sintomas de reacção inflamatória são vermelhidão e inchaço (edema) acompanhados de calor e dor. A vermelhidão e o calor resultam da vasodilatação induzida pela libertação de histaminas, nas áreas libertadas pelos basófilos (leucócitos) quando estes se lesionam e actuam como sinalizadores químicos – quimiotaxia. Estas provocam uma maior permeabilidade dos capilares sanguíneos, possibilitando a saída de plasma e leucócitos (fagócitos) para os tecidos e o consequente edema característico. Os fagócitos deslocam-se desde o capilar até ao local lesionado, por um processo de diapedese, só possível pelo facto de os leucócitos poderem mudar de forma.



Os neutrófilos são os primeiros leucócitos a chegarão local de infecção, seguidos dos monócitos que se transformam em macrófagos. Estes englobam e digerem os invasores, bem como os restos celulares.
Em consequência do processo inflamatório, pode ocorrer a acumulação de pus, que é constituído por células mortas (neutrófilos e corpos celulares atingidos) e pelo plasma libertado. Numa fase final, o pus é, geralmente, consumido e digerido pelos macrófagos.

A febre como alerta
A febre é um mecanismo adaptativo, é um dos sintomas mais comuns nas reacções inflamatórias porque as toxinas, produzidas pelos agentes patogénicos, e os pirógenos (o mais conhecido é a interleucina 1), produzidos por alguns glóbulos brancos, fazem disparar a temperatura corporal. Essas substâncias pirogénicas agem no hipotálamo (o termóstato do corpo), reconfigurando-o para uma temperatura mais alta, e ao fazê-lo, desencadeia os mecanismos de aumento da temperatura do corpo (tremores e vasoconstrição) a níveis acima do normal. Esta pode impedir a proliferação de micróbios e melhorar a resposta imunológica pelo aumento da capacidade bactericida, migratória dos glóbulos brancos e aumento na produção de interferão contra certos vírus. A sensação que a pessoa febril sente faz com que poupe energia e descanse, funcionando também através do maior trabalho realizado pelos linfócitos e macrófagos com a vasodilatação causada pelo aquecimento.
Após a reacção inflamatória pode ocorrer a reparação tecidular, ou formarem-se abcessos ou granulomas. Os abcessos ocorrem quando a lesão tecidular é muito grande e se forma uma bolsa de pus constituído por microrganismos invasores, leucócitos e restos de tecidos liquefeitos. O granuloma ocorre quando os microrganismos são incluídos em células fagocitárias, mas não são destruídos e em torno dessas células fagocitárias dispõem-se outras, sendo todo o conjunto circundado por uma cápsula fibrosa.

Interferão
Os interferões são proteínas produzidas por certas células quando atacadas por vírus ou por parasitas intracelulares. Estas proteínas não apresentam especificidade pois podem inibir a replicação de diversos vírus. Os interferões difundem-se, entram na circulação e ligam-se à membrana citoplasmática de outras células, induzindo-as a produzir proteínas antivirais que inibem a replicação desses vírus. O interferão não é uma proteína antivírica mas induz a célula a produzir moléculas proteicas antivirais.

Sistema de complemento
O sangue dos vertebrados contém cerca de vinte proteínas com acção antimicrobiana que constituem o sistema de complemento. Estas proteínas, em diferentes combinações fornecem três tipos de defesa:
• Apresentam capacidade de aderir às membranas dos micróbios, auxiliando os fagócitos a destruí-los;
• Activam a resposta inflamatória e atraem os fagócitos para o local da infecção, funcionando como sinalizadores químicos;
• Em colaboração com os anticorpos, promovem a lise (rompimento) das células invasoras (como por exemplo, das bactérias)
As proteínas de complemento actuam numa consequência característica ou em “efeito cascata”, no qual cada proteína activa a seguinte.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Sistema Imunitário

As proteínas que formam as cápsulas dos vírus são diferentes das proteínas existentes no corpo humano. Quando sofremos algum tipo de invasão por vírus, as proteínas desses seres - "estranhas" ao nosso organismo - são "detectadas" por certas células do corpo. Essas células fazem parte do sistema imunitário, que é o sistema de defesa do corpo, e passam então a produzir substâncias que combatem o vírus invasor: os anticorpos.

Quando alguém contrai um resfriado, por exemplo, o sistema imunitário inicia a produção de anticorpos. Depois de alguns dias, os anticorpos eliminam os vírus e a pessoa fica curada do resfriado.

Os anticorpos têm ação específica. Isso significa que eles atuam apenas no combate do microorganismo para o qual foram produzidos. No exemplo anterior, o anticorpo capaz de reagir ao vírus do resfriado não combate o vírus do sarampo, e vice-versa.


Mas afinal o que é o Sistema Imunitário???

O sistema imunológico, também conhecido como sistema imunitário, é constituido por diversos tipos de células e órgãos, que protegem o organismo dos animais de potenciais agentes agressores biológicos ou quimicos.
Assim, fazem parte do Sistema Imunológico os vasos linfáticos, os órgãos e tecidos linfóides e as células efectoras (leucócitos, macrófagos e plasmócitos).
Este sistema é não só responsável pela destruição de células envelhecidas e anormais (cancerosas), do próprio organismo como também a nossa defesa para que possamos mantermo-nos saudáveis, mesmo na presença de inúmeros agentes invasores conferindo imunidade, ou seja, protecção contra agentes patogénicos.

Os agentes patogénicos ou patogenes são os organismos causadores de doenças como os vírus, as bactérias, os fungos e os protozoários.



Devido ao facto de cada individuo ser único do ponto de vista bioquimico, o sistema imunitário é capaz de reconhecer aquilo que pertence ao organismo e o que lhe é estranho; isto é, na superficie celular, existem glicoproteínas que são diferentes das moléculas presentes nas células das outras espécies e mesmo de outros membros da mesma espécie.
As diferenças que existem entre as superficies celulares de cada organismo residem na variabilidade genética. De facto, a expressão de diferentes formas alélicas produz proteínas distintas, algumas das quais encontram-se na superficie das membranas celulares, funcionando como um sistema de identificação. Por esta razão, as glicoproteínas da superficie membranar, que permitem identificar uma célula como pertencente ou não a um determinado organismo, tomam a designação de marcadores. Estes marcadores são codificados por um conjunto de genes ligados que se encontram no cromossoma 6 e constituem o complexo maior de histocompatibilidade (MHC).

Quando o sistema imunitário detecta marcadores diferentes dos que são próprios do organismo, ou sinais de perigo, desencadeia uma resposta imunitária:

Mecanismos de defesa não especificos (promovem uma protecção geral contra os patogenes, destruindo a maioria deles):

- Barreiras fisicas: Mucosas e Pele
- Secreções: Muco, Lágrimas, Saliva, Secreções gástricas e Suor
- Fagocitose
- Resposta inflamatória
- Interferão
- Sistema de Complemento

Mecanismos de defesa especificos (é direccionada para um tipo particular de substâncias ou patogene que tenha conseguido entrar no corpo):

- Imunidade mediada por células
- Imunidade mediada por anticorpos

Assim, uma resposta imunitária é um conjunto de processos que permite ao organismo reconhecer a presença de substâncias estranhas ou anormais de forma a que sejam neutralizadas e eliminadas. Esta depende da comunicação entre as células - sinalização celular - em que um aspecto importante é o sinal de tradução, ou seja, a conversão de um sinal extracelular numa série de acontecimentos intracelulares.